Por Flávio Batista.
O clássico do Campeonato Paulista 2008 realizado na tarde de domingo do dia 13/04, entre São Paulo e Palmeiras, foi marcado por um lance polêmico. O gol de mão do Adriano.
As pessoas encaram o esporte como uma metáfora da sociedade. E não é! A carteira achada na rua com muito dinheiro deve ser devolvida e isso não se discute. Mas o gol com a mão não deve: simplesmente faz parte do jogo.
Quem blefa no pôquer é um mau-caráter, mentiroso ou um bom jogador? Por que as pessoas pregam que temos de ter “as mesmas condutas na rua ou em um campo de futebol”? Simular um pênalti – sem que o juiz veja – faz tão parte do jogo no futebol quanto blefar no pôquer ou aplicar um direto no queixo de um adversário em cima do ringue.
Um dos lances mais famosos da história das Copas é o passinho que o Nilton Santos dá, contra a Espanha, em 1962, para fora da área, a fim de ludibriar o árbirtro a marcar falta em vez de pênalti. Alguém acha o Nilton Santos um mau-caráter por isso? Outro lance que entrou para a história dos Mundiais foi o gol(aço) de mão que o Maradona marcou contra a Inglaterra, sem que o juiz e o assistente percebessem, em 1986. O camisa 10 argentino foi um sujeito sem caráter por causa disso? Para nós do Talagada, ele foi um artista, foi o gol com “a mão de Deus” (“La mano de Dios”, como disse Maradona).
“Levar vantagem”, ser vilão no futebol, é comprar o juiz, dopar ou subornar adversário, quebrar a perna de um craque. Isso sim é dar um jeitinho, é levar a disputa para fora do que acontece nas quatro linhas.
Por favor, não vamos comparar desvios de conduta com marcar um gol de mão sem que o juiz veja – porque, se enxergar, tem mais é que dar cartão mesmo. Está na regra. Se não enxergar, paciência. O futebol é assim!
Arte produzida por Victor Venga

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